sexta-feira, 19 de março de 2010

Resposta II - A Missão

O amigo Paulo Maia enviou-me o complemento abaixo, ainda sobre o texto de Fialho.

"Amigos, escrevi o texto abaixo em resposta ao texto de Carlos Fialho no www.digi.com.br "Não basta ser playboy, tem que ser dj", deem um olhada e digam o que acham.


NÃO BASTA SER ALTERNATIVO, TEM QUE SE CHAMAR DE “ESCRITOR”

Natal tem umas coisas engraçadas. Sempre tem alguém reclamando que em Natal não tem “cena alternativa”, que todo mundo só faz as mesmas coisas, que só vai aos mesmos lugares, com as mesmas pessoas e as mesmas roupas, atitudes, etc. E, detalhe, qualquer pessoa que siga esse jeito “oficial” de ser do natalense, é rotulado de playboy, fútil, ou coisa que o valha. Mas será que só os “playboys” e “patricinhas” tem comportamentos parecidos e, por isso, deploráveis? Vou tentar entrar na cabeça de um “alternativo” do circuito off Tirol/Petrópolis, vamos lá. Os alternativos de Natal, em primeiro lugar, tem como assunto principal (e em que ocupam a maior parte do seu tempo) falar mal de quem não é igual a eles, sempre dizendo frases do tipo: “-Natal só tem babaca, playboy que se acha e que escuta música ruim sem nada na cabeça”. Tem sempre aquele ar nostálgico também, lembrando-se “- Bom era na época da Whiplash, do General Junkie, do El Chaco” e vai por aí. Hoje em dia, nem o MADA presta mais para eles, que dizem que a coisa ficou muito comercial, bom é aquele monte de banda independente que toca nos festivais da Ribeira que ninguém conhece meia música direito. Ah, por falar em música, o importante para os alternativos é escutar música que ninguém escuta, comum você ouvir frases do tipo “- Rapaz, baixei uma demo nova de uma banda independente inglesa que ninguém nunca escutou, bom demais!”. Se tocar na rádio, a música não presta, é jabá. Ser DJ no cenário alternativo, portanto, é não tocar o que toca nas rádios, o que é semelhante a tocar o que ninguém conhece ou sequer ouviu. No circuito de baladas alternativo de Natal você também encontra figurinhas carimbadas com o mesmo modelito: tênis all star, calça jeans rasgada, alargador ou brinco na orelha, muita tatuagem e cigarro na boca, não precisa ser o careta...eita erva danada! Ô povo pra gostar de coisa natureba, e queimar erva faz parte do ritual alternativo natalense. Pode passar no alto de Ponta Negra, na Ribeira ou na Rota do Sol que você verá esses tipos padronizados de alternativos. Afora essas mesmices musico-comportamentais que já citei, outro componente do ideário alternativo de Natal é a falsa politização. Esses seres são sempre assim, à esquerda de Fidel Castro, comum você vê-los vestidos com camisa de Che Guevara, apesar de não entender um grama do que acontece com os presos políticos de Cuba. Leem orelhas de livros de Bukowski e de Nietzsche e saem por aí vomitando uma metafísica quântica do super-homem poético, ou seja, um nada. Pretensamente, são pensadores, e muitos se arvoram na condição de “escritores”, colocando o substantivo “escritor” antes de seu nome para qualificar seus artigos publicados em colunas de internet ou em blogs perdidos na rede. Tá difícil ser alternativo em Natal, porque pra ser alternativo não pode freqüentar o quiosque embaixo do Manary (o famoso K-21), tem que ir lá pras brenhas do Morro do Careca se misturar com italiano em busca de sexo turismo, lá é legal! Vai lá mané!
Dito isto tudo, queria dizer que não concordo com uma palavra do que escrevi acima. Escrevi com um único intuito, mostrar que quando se quer generalizar e desqualificar uma parte da população da sociedade em que se vive, é muito fácil e, quem assim o faz, nada mais faz do que contribuir para sectarização das pessoas, o que, por conseguinte, gera ódio e intolerância. Vivemos num Estado Democrático de Direito e, por isso, tem os que gostam de uma coisa e os que gostam de outra, daí a querer rotular e estereotipar tais e quais pessoas é um passo do imbecilismo excludente que só leva ao separatismo e à violência. Por isso eu digo: viva a diversidade, ou, como diria um colega meu “Cada qual com seus problemas”.
Paulo Maia
Natalense e folião"

Um comentário:

Jenner disse...

Favoritei aqui esse texto. Apesar de concordar com algumas coisas do Fialho, achei esse texto fantástico. Corrigindo:Natal não tem playboy. Tem uns caras que "acham" que são playboys, mas na verdade são uns pé rapados